quarta-feira, 8 de junho de 2022

Á deriva nas cores de Lisboa

 

Na proposta inicial foquei o sistema de deriva na localização, aproveitando as imensas ruas de Lisboa como oportunidades de desvios até chegar ao destino.

Em retrospetiva, olhando para as pontos que mais me cativaram, noto um padrão com as fachadas coloridas e várias texturas. Também miradouros com vista para o rio foram importantes para me situar ao longo dos desvios que fui fazendo.


Adaptação da minha deriva ao mapa da Naked City em Nova Iorque (referido na proposta)
 


Trajeto com estações destacadas

1.

Lá encontrei várias pessoas que pareciam estar o fazer o mesmo, a aproveitar tempo sozinhos e refletir, sentados em bancos a olhar para o outro lado do rio ou em volta do jardim. Nesta altura do ano é que a variedade de árvores é visível com as cores vivas e toda a folhagem que filtra a luz do sol sobre o jardim.



2.

Este cenário nada tem a ver com o anterior. Aqui, estamos completamente “encurralados” nos típicos edifícios lisboetas, mesmo no ponto mais alto, acima do chafariz, apenas são visíveis os telhados em terracota. Apesar da ausência de noção geográfica, por estar rodeada de edifícios que não variam muito em relação a outros noutras zonas da cidade, ser estranha, também existe um certo conforto nessa familiaridade.


3. 

A arte da azulejaria tornou-se tão banal para quem a vê com tanta frequência. Ás vezes devíamos fingir ser turistas ou crianças maravilhadas para nos deixarmos impressionar por estas formas de arte mais subtis.



4. 

Esta fachada captou a minha atenção pela combinação do verde das folhas que cresciam pela parede cor de rosa acima e também pelo que tinha escrito: ‘O bar mais triste da cidade’. Leva-me a fantasiar como será aquele edifício à noite, com o letreiro iluminado, e a ironia de ver pessoas a divertirem-se por detrás das janelas, no “bar mais triste da cidade”.




5.

No topo da rua onde está este edifício, apenas parece um prédio com uma cor muito viva, mas quanto mais nos aproximamos, mais a textura discreta do azulejo torna aquela cor ainda mais rica.




6. 

Mais uma vez, a combinação da folhagem com as cores e desenhos dos azulejos captam a minha atenção. Especialmente quando se junta o telhado laranja e as flores de várias cores. Parece que nem sempre foi assim. Que aquele jardim não esteve ali o tempo todo. No entanto, encaixa perfeitamente. Será que noutras estações, com a vegetação de outras cores também parece tão propositado? Ou noutras estações o edifício seria irreconhecível, por não ter esse complemento?




7. 

O roxo dos jacarandás dá uma certa coesão pela cidade nesta altura em que estão no seu pico. Este roxo trás um sentido de familiaridade semelhante aquele dos edifícios com fachadas parecidas em pontos diferentes da cidade.



8. 

Nesta rua parece que os Santos Populares são o ano inteiro. As mesas que por vezes parecem improvisadas, os bancos que deixam quem neles se senta desequilibrado, o aconchego da rua apertada cheia de pessoas com petiscos; tudo dá a sensação de Santos Populares independentemente do mês do ano.



9.

Tinha uma vaga ideia de como poderia aqui chegar, mas não muito confiante. As subidas e descidas e curvas e contracurvas em que se está completamente emaranhado por edifícios a serem renovados ou com roupa estendida nas janelas. Fica-se a pensar como estarão estes edifícios daqui a uns meses? Tal como a paisagem que se vê pelo miradouro. As gruas já fazem parte da arquitetura, por mais que mudem de sítio. A vista do rio mantém-se como referência. Consigo ver que estou um pouco mais longe da ponte, um pouco mais alto.




10. 

Estas escadas longas que compõem ruas residenciais. Olha se para a outra ponta, onde está outra escadaria, que sobe para um nível como o que se está agora. Parece um atalho, mas neste caso, contornar parece mais viável que ir em frente, descer cerca de 4 andares para uns metros á frente voltar a subi-los.



11.

Que apertado que aparenta ser, mais ou menos a descair sobre a rampa inclinada bruscamente para baixo. Mas as pessoas parecem confortáveis nesta esplanada, apesar dos pés das cadeiras presos entre as pedras da calçada, que se iram desequilibrar a qualquer momento. Uma pequena tasca típica, onde imagino que passem jogos de futebol ao final do dia, muito barulho abafado num espaço tão pequeno.



12.

De facto, vinha dar precisamente onde precisava. O que estará ao certo naquelas ruas perpendiculares não sei. Provavelmente mais prédios com portas baixas, talvez mais alguns jacarandás.



13.

Quando passo por aqui de carro parece maior. É na verdade mais uma das pequenas praças escondidas um pouco por todo o lado. As árvores mais baixas com folhagens coloridas ou densas dão lugar a palmeiras aqui. Parece um Largo um pouco afundado nas colinas do Chiado, a maioria das ruas sobe até ao Largo Camões, outras descem abruptamente para o Cais do Sodré.



14.

E cá regresso à FBAUL, por um caminho que não tão cedo repetirei, mas onde me apercebi de certas excentricidades desta cidade, e que me levou a pensar o quanto mudará seja com renovações, maior e menor afluência de turistas e com a mudança das estações, pois é certo que as cores, por mais secundárias que possam parecer, irão em muito mudar a forma como vejo certos sítios e talvez até, fazer-me notar outros.