domingo, 5 de junho de 2022

Deriva da Cidade Emaranhada


A minha proposta para o projeto da Deriva baseia-se numa reflexão sobre a cidade. A primeira vista ela apresenta-se como um enorme corpo, sem indicar ao certo o seu início e para onde será o seu fim, demonstrando apenas o seu presente estado. Encontramos então um corpo imenso, o qual diariamente, e a todo o instante, tem o seu corpo atravessado e percorrido. Se tais percursos deixassem um traço, como uma linha, veríamos somente um grande emaranhado, como um novelo de lã bagunçado. Assim sendo, o meu percurso da Deriva anseia cruzar esse emaranhado caótico de linhas utilizando o próprio caos como guia do percurso, para por fim encontrar a cidade plena e desembaraçada.

Portanto, o instrumento(s) eleito(s) para canalizar tal caos foram dados. Cada dado deve representar uma variável que irá afetar os caminhos escolhidos ao longo da aventura.



 Regras dos Dados


20 lados

Quantidade máxima de ruas a se seguir. 


10 lados

 Quantidade máxima de passos a se dar vezes 10. (Pode exceder o número se outras variáveis não tiverem sido completadas)


6 lados

Divisão do alfabeto (as letras de A - M ocupam os números 1,2,3 / as letras de N-Z ocupam os números 4,5,6).


4 lados

Os números 1 e 2 definem que o caminho deverá ser direcionado sentido a faculdade e os números 3 e 4 delimitando que o caminho deverá seguir um sentido oposto a faculdade.



Premissas


Seguir intuição geográfica, logo não utilizar nenhum artifício como guia direcional.


Se manter em dormência, todo estímulo que atrair-lhe a atenção deverá o guiar e o influenciar na próxima na escolha do percurso. 


Os últimos quatro pontos da Deriva deverão seguir sempre em direção a faculdade, sendo o último o próprio edifício


Os pontos da Deriva podem ser delimitados de duas formas:


Quando todas as variáveis/regras estabelecidas pelos dados forem cumpridas, o exato lugar em que elas forem completas será um dos pontos da deriva


Em cada ponto o viajante deve estar passivo a todos os tipos de estímulos que a cidade lhe proporcionar. Em cada ponto será esperado encontrar uma "intuição" que guiará o viajante para a definição do próximo ponto. Deste modo, é possível ver que a cidade está conectada e viva.






1º Ponto

R. Dr. Antônio Cândido 


1º Intuição

Olhar por uma brecha, para algo dentro dela.

Percurso

     


2º Ponto

            Avenida Duque de Ávila


Percurso








2º Intuição










3º Ponto

R. Latino Coelho






Percurso





3º Intuição



4º Ponto

Escola de Camões

Percurso






4º Intuição

Terreno abandonado





5º Ponto
R. Dona Estefânia

Conjunto de abandonos Percurso


5º Intuição





6º Ponto
Graffiti e traços de Lisboa





Percurso 
    








6º Intuição









7º Ponto
R. Ferreira Lapa




Percurso










7ºIntuição



7º Intuição






8º Ponto
R. Luciano Cordeiro


Um convite. 
Troca de dias.

Percurso














8º Intuição

A porta se fechou indicando outra caminho a se seguir, e não adentro pela porta.









9º Ponto
R. da Cruz da Carreira 

A porta que fechou me levou para outra aberta, com o mesmo número da porta, em outra rua e em outro dia.


Percurso 





9º Intuição 


10º Ponto 
R. Travessa de São Bernardino

A partir do 10º ponto, as variáveis dos dados foram deixadas de lado, seguindo somente pequenas intuições pelo caminho. 
A principal intuição agora é o vento. Ele me levará ao meu destino.



Percurso




11º Ponto 
R. Travessa José Vaz de Carvalho



Percurso




12º Ponto 
Casa de pássaros

Percurso

13º Ponto 
Estátua de Sousa Martins


Percurso








14º Ponto 
Faculdade de Belas Artes






Cada novo ponto apresentava respostas e esclarecimentos aos estímulos previamente definidos e encontrados nos pontos antecessores. Demonstrando um percurso praticamente destinado a ser traçado, mesmo sendo atravessado sem tino. Lisboa mostrou-se completamente nova aos meus olhos, expondo espaços, ruas e lugares que nunca havia conhecido.