A minha proposta para o projeto da Deriva baseia-se numa reflexão sobre a cidade. A primeira vista ela apresenta-se como um enorme corpo, sem indicar ao certo o seu início e para onde será o seu fim, demonstrando apenas o seu presente estado. Encontramos então um corpo imenso, o qual diariamente, e a todo o instante, tem o seu corpo atravessado e percorrido. Se tais percursos deixassem um traço, como uma linha, veríamos somente um grande emaranhado, como um novelo de lã bagunçado. Assim sendo, o meu percurso da Deriva anseia cruzar esse emaranhado caótico de linhas utilizando o próprio caos como guia do percurso, para por fim encontrar a cidade plena e desembaraçada.
Portanto, o instrumento(s) eleito(s) para canalizar tal caos foram dados. Cada dado deve representar uma variável que irá afetar os caminhos escolhidos ao longo da aventura.
Regras dos Dados
20 lados
Quantidade máxima de ruas a se seguir.
10 lados
Quantidade máxima de passos a se dar vezes 10. (Pode exceder o número se outras variáveis não tiverem sido completadas)
6 lados
Divisão do alfabeto (as letras de A - M ocupam os números 1,2,3 / as letras de N-Z ocupam os números 4,5,6).
4 lados
Os números 1 e 2 definem que o caminho deverá ser direcionado sentido a faculdade e os números 3 e 4 delimitando que o caminho deverá seguir um sentido oposto a faculdade.
Premissas:
Seguir intuição geográfica, logo não utilizar nenhum artifício como guia direcional.
Se manter em dormência, todo estímulo que atrair-lhe a atenção deverá o guiar e o influenciar na próxima na escolha do percurso.
Os últimos quatro pontos da Deriva deverão seguir sempre em direção a faculdade, sendo o último o próprio edifício
Os pontos da Deriva podem ser delimitados de duas formas:
1º
Quando todas as variáveis/regras estabelecidas pelos dados forem cumpridas, o exato lugar em que elas forem completas será um dos pontos da deriva
2º
Em cada ponto o viajante deve estar passivo a todos os tipos de estímulos que a cidade lhe proporcionar. Em cada ponto será esperado encontrar uma "intuição" que guiará o viajante para a definição do próximo ponto. Deste modo, é possível ver que a cidade está conectada e viva.
1º Ponto
R. Dr. Antônio Cândido
1º Intuição
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Olhar por uma brecha, para algo dentro dela.
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Percurso
2º Ponto
Avenida Duque de Ávila


3º Ponto
R. Latino Coelho
Percurso
4º Ponto
Escola de Camões
Percurso
4º Intuição
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Terreno abandonado
5º Ponto |
R. Dona Estefânia
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| Conjunto de abandonos
Percurso |
5º Intuição
6º Ponto Graffiti e traços de Lisboa |
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Percurso
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6º Intuição
7º Ponto
R. Ferreira Lapa
Percurso
7ºIntuição
7º Intuição
8º Ponto
R. Luciano Cordeiro
Um convite.
Troca de dias.
8º Intuição
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| A porta se fechou indicando outra caminho a se seguir, e não adentro pela porta. |
9º Ponto
R. da Cruz da Carreira
A porta que fechou me levou para outra aberta, com o mesmo número da porta, em outra rua e em outro dia.
Percurso
R. Travessa de São Bernardino
A partir do 10º ponto, as variáveis dos dados foram deixadas de lado, seguindo somente pequenas intuições pelo caminho.
A principal intuição agora é o vento. Ele me levará ao meu destino.
Percurso
11º Ponto
R. Travessa José Vaz de Carvalho
Percurso
12º Ponto
Percurso
13º Ponto
Estátua de Sousa Martins
Percurso
14º Ponto
Faculdade de Belas Artes
Cada novo ponto apresentava respostas e esclarecimentos aos estímulos previamente definidos e encontrados nos pontos antecessores. Demonstrando um percurso praticamente destinado a ser traçado, mesmo sendo atravessado sem tino. Lisboa mostrou-se completamente nova aos meus olhos, expondo espaços, ruas e lugares que nunca havia conhecido.