Passamos então a explicar como se sucedeu esta deriva e o sistema que resultou: Saímos da faculdade e facilmente encontrámos os nossos alvos - uma dupla em que a camisola de uma das pessoas era roxa.
Uns metros a seguir separaram-se e decidimos seguir a pessoa com essa camisola, pois era mais chamativa.
Continuámos a segui-la até nos cruzarmos com outra pessoa a usar roxo, independentemente do tom ou da peça de roupa, e aí foi a nossa primeira paragem, sem contar com a faculdade (irei contar as paragens desta forma), no metro da baixa-chiado. Seguimos a pessoa pelo metro, entrando na mesma carruagem e saindo na mesma paragem.
Continuámos a andar atrás até encontrar uma pessoa com outra cor chamativa, rosa-choque, no caso, sendo esta a segunda paragem, localizada no metro do cais de Sodré. Seguimos esta pessoa até ela se cruzar com outra que utilizasse uma peça de roupa semelhante e exatamente da mesma cor e tonalidade.
Deu-se assim a terceira paragem, na avenida 24 de julho. Em seguida, procurámos alguém que se destacasse pelo seu traje e aparência em geral. Avistámos um senhor com uma túnica preta e barbas brancas compridas. Seguimos o senhor até avistar alguém que também se destacasse, no caso, um rapaz tatuado. Foi aí a nossa quarta paragem, na Praça do Município. Seguimos este rapaz até chegarmos à quinta paragem, no jardim ao lado da Avenida Ribeira das Naus, onde ele se sentou. Decidimos aqui estabelecer que sempre que algum dos nossos pivôs se sentasse ou ficasse parado por tempo indeterminado, que se consideraria uma paragem. Mesmo ao lado deste jardim, avistámos trotinetes e por isso, decidimos que seria interessante seguir pessoas a andar de trotinete e assim o fizemos.
Continuámos a caminhar atrás destas pessoas até haver um cruzamento entre muitas pessoas a andar de trotinetes elétricas, o que foi uma coincidência suficientemente interessante para considerarmos esta mais uma das nossas paragens, não muito distantes, localizada no Largo Corpo Santo. Aí reparámos que havia alguém a comer enquanto andava em como tínhamos fome, começámos a seguir esta pessoa até chegar à próxima paragem que seria uma zona de esplanadas ao lado do Quiosque da Ribeira das Naus, onde essa pessoa se sentou numa cadeira.
Sentámo-nos um pouco também a averiguar qual seria a próxima variável, quando reparámos num rapaz que estava a atacar os cordões, pronto para caminhar e, obviamente começámos a segui-lo. Enquanto o seguíamos ele parou para tirar uma foto com o telemóvel, o que nos deu uma ideia para a próxima variável: encontrar fotógrafos ou pessoas com câmaras fotográficas e esperar até que estes tirem uma foto, sendo esta outra paragem.
Continuámos a seguir o rapaz e ele parou na fila duma banca para comprar um sumo de ananás, pelo que considerámos uma paragem, fazendo jus à regra já estabelecida. Partimos desta paragem na Doca da Ribeira das Naus, para a próxima. Avistámos dois homens com câmaras fotográficas e seguimo-los até tirarem uma foto. Essa foto representou a nossa décima paragem, no Cais das Colunas. Reparámos que nesta paragem se podia ouvir um senhor a tocar piano e pensámos que seria interessante seguir a próxima pessoa que lhe desse dinheiro. Assim fizemos. Seguimos a pessoa, que passeava em casal, até nos cruzarmos com outra pessoa que já tínhamos visto ao longo da deriva e que, por coincidência, cruzou-se connosco três vezes. Parámos um pouco, mas quase imediatamente cruzou-se connosco uma pessoa a passear o cão, e como Lisboa não é Lisboa sem cães, seguimo-los até ao seu destino final, o carro.
Ficámos no sítio onde o carro estava até ele sair. Neste processo, avistamos uma pessoa com cabelo de cor exuberante e começámos a segui-la e não parámos até ela se aperceber que era gravada e perseguida. Depois de se aperceber e expressar descontentamento pela situação, explicámos o nosso propósito e pedimos autorização para utilizar as gravações. Por fim, olhámos ao nosso redor e, sem nos apercebermos, esta era a nossa última paragem, marcada por um lugar surpreendentemente vazio.